Módulo 5 · Operação e projeto final

Custo total e comparação honesta com a nuvem

Aula 14 de 15 Aula de 32 min Atualizado em 29 de setembro de 2026
Progresso no curso93%

Nesta aula

A máquina é a parte barata.

Quando alguém compara IA local com nuvem, quase sempre compara o preço da máquina com a fatura mensal da API. É a comparação errada. O custo da IA local é máquina, energia, gente, tempo de implantação e risco; o da nuvem é token, assinatura, gente também (menos, mas não zero) e um risco de outro tipo. Nesta aula você monta uma planilha que aguenta a pergunta de um sócio, com volume medido e não chutado, e com colunas que não são dinheiro, porque dado sensível e previsibilidade também entram na conta. O resultado pode ser "local custa mais e ainda assim é a decisão certa". O que não pode é fingir que custa menos.

As linhas de custo da IA local

Não vou dar valores em moeda, porque eles mudam por região, por mês e por fornecedor. Vou dar as linhas e como calcular cada uma. Você preenche com os seus números.

LinhaComo calcularOnde as pessoas erram
MáquinaPreço de compra dividido pelos anos de vida útil que a sua contabilidade usa; ou o aluguel mensal, se for alugadaContar o preço inteiro no primeiro ano, ou esquecer que ela vai ser trocada
EnergiaPotência média da máquina em uso, vezes horas ligada por mês, vezes a tarifa da sua conta de luzEsquecer que servidor fica ligado mesmo quando ninguém usa
Gente (operação)Horas por semana da rotina da aula 13, vezes o custo-hora da pessoa (salário mais encargos, dividido pelas horas do mês)Não contar, porque "a pessoa já é da empresa"
Gente (implantação)Horas de projeto: instalação, documentos, testes, política, treinamento da equipe. Uma vez, diluída no primeiro anoEsquecer as horas de quem preparou os documentos
Backup e armazenamentoDisco externo, armazenamento fora, tempo de teste de restauraçãoContar como zero
Atualização e retesteHoras por trimestre da bateria e das atualizaçõesAchar que instalou e acabou
Risco de paradaCusto de um dia sem a IA vezes a probabilidade estimada; ou o custo de uma máquina reservaFingir que a máquina não vai quebrar

Some as linhas por mês e multiplique por 12 e por 36. Repare no que acontece: a máquina, que parecia o custo grande, vira uma fatia pequena depois de dividida pelos anos. A linha de gente, que ninguém contava, vira a maior. É exatamente o que as fontes dizem, e é por isso que a rotina da aula 13 é a linha mais importante da planilha.

Exemplo real

Uma clínica montou a planilha esperando que a máquina fosse o vilão. Em 36 meses, a máquina ficou em segundo lugar. O primeiro foi o tempo da pessoa responsável, que era a gerente administrativa, com algumas horas por semana. A decisão continuou sendo local (prontuário não ia para a nuvem), mas a clínica passou a tratar as horas da gerente como investimento e liberou parte da agenda dela, em vez de fingir que a operação era "de graça".

As linhas de custo da nuvem

A nuvem parece simples: uma fatura por mês. Mas ela também tem linhas escondidas.

LinhaComo calcularOnde as pessoas erram
Uso por tokenTokens de entrada e de saída por mês, vezes o preço de cada um, na página oficial do fornecedor, no dia da contaUsar preço de seis meses atrás; esquecer que entrada e saída custam diferente
Assinaturas por pessoaNúmero de contas pagas vezes o valor mensal (para uso pela interface do fornecedor)Contas que ninguém usa continuam sendo cobradas
Gente (governança)Horas para avaliar fornecedor, contrato, política de dados, revisar uso, atender titularAchar que é zero porque "o fornecedor cuida"
Gente (implantação)Menor que no local, mas existe: instruções, projetos, treinamentoIgnorar
Risco de dependênciaCusto de migrar se o fornecedor mudar preço, regra ou aposentar o modeloAssinar contrato longo preso a um único modelo fechado
Custo de não fazerValor das tarefas que não podem ir para a nuvem por causa do dado, e que ficam sem IAEsquecer que "nuvem" às vezes significa "não fazer"

Uma referência que ajuda a calibrar, vinda dos guias deste ano: abaixo de cerca de 5 milhões de tokens por dia, a API comercial ainda ganha em custo puro; muito acima disso, hospedar o próprio modelo fica mais barato. Cinco milhões de tokens por dia é muito texto. A maioria das empresas pequenas está bem abaixo, e é por isso que, em custo puro, a nuvem costuma ganhar para elas. A decisão pelo local, nesses casos, vem das colunas que não são dinheiro.

Medir o volume, não chutar

Todo o cálculo depende de uma pergunta: quantos tokens por dia? E aqui a maioria chuta. Não chute; meça.

  1. A API do Ollama (aula 12) devolve, em cada resposta, a contagem de tokens da entrada e da saída. Rode as tarefas reais por uma semana típica e some.
  2. Se a equipe usa pela interface, pegue uma amostra: dez conversas típicas, conte os tokens delas pela API (colando o mesmo texto) e multiplique pela quantidade de conversas por dia.
  3. Para integrações, multiplique os tokens de uma chamada pela quantidade de chamadas por dia (pedidos, mensagens, laudos).
  4. Some tudo e compare com a referência dos 5 milhões. Provavelmente você está longe, e isso é informação, não derrota.

Faça a mesma medição três meses depois. Volume de IA cresce quando a equipe aprende a usar, e uma decisão tomada com o volume do primeiro mês pode estar errada no sexto.

Dica

Se você ainda não tem a API ligada, uma aproximação honesta: conte as palavras de dez pedidos e dez respostas típicas e anote que tokens costumam ser um pouco mais numerosos que palavras em português. Marque como "estimado" na planilha e substitua pela medição assim que puder.

A planilha: três cenários, dois horizontes, colunas que não são dinheiro

A estrutura que eu uso tem três blocos.

Bloco 1: cenários

Nuvem

Todas as tarefas da aula 1 na API ou nas assinaturas. Inclui a linha "custo de não fazer" para as tarefas que o dado impede.

Local

Todas as tarefas na máquina da empresa. Inclui gente, energia, backup, risco.

Híbrido

O que a tabela da aula 1 mandou: sensível e volume dentro; raro e pesado fora. Costuma ser o mais barato e o mais realista.

Bloco 2: horizontes

Some cada cenário em 12 e em 36 meses. O primeiro ano carrega a implantação; o terceiro mostra o custo de cruzeiro. Uma decisão que só olha 12 meses favorece a nuvem; uma que só olha 36 esconde o esforço de começar. Olhe os dois.

Bloco 3: o que não é dinheiro

ColunaPerguntaNuvemLocalHíbrido
Dado sensívelA tarefa pode sair da empresa?Depende do fornecedor e do contratoNão saiSensível não sai
PrevisibilidadeO custo e o serviço podem mudar sem eu decidir?SimNãoParcial
DependênciaQuanto custa trocar?Alto se preso a modelo fechadoBaixo (modelo aberto)Baixo se a parte de fora usa modelo aberto
Qualidade de pontaA tarefa exige o modelo mais forte?DisponívelLimitado pela máquinaDisponível onde precisa
Gente disponívelExiste quem opere?Pouco necessárioObrigatórioObrigatório

Depois dos três blocos, faça duas perguntas de sensibilidade: e se a linha de gente dobrar? (a pessoa saiu, e a substituta é mais cara) E se o volume triplicar? (a equipe adotou). Se a decisão muda com uma dessas perguntas, ela está no fio da navalha, e vale um piloto (aula 15) antes de qualquer compra.

Um assistente de nuvem monta a estrutura da planilha para você, sem os seus valores se preferir:

Contexto: quero comparar o custo total de IA na nuvem, local e híbrido para uma empresa pequena, em 12 e 36 meses. Tarefa: monte a estrutura de uma planilha com as linhas de custo locais (máquina dividida pela vida útil, energia por potência e horas, gente de operação e de implantação por horas e custo-hora, backup, reteste, risco de parada) e as da nuvem (tokens de entrada e saída, assinaturas, gente de governança, dependência, custo de não fazer), uma coluna por cenário, totais em 12 e 36 meses, e um bloco final com critérios não financeiros (dado sensível, previsibilidade, dependência, qualidade de ponta, gente disponível). Descreva as fórmulas em palavras, sem inventar valores. Formato: lista de abas e, para cada aba, as colunas e as fórmulas em texto.

A leitura honesta

Depois de preencher, três leituras são possíveis, e todas são respeitáveis.

E a leitura que não vale: "compramos a máquina, então precisa ser local". Máquina comprada é custo passado; a decisão olha para frente. Se a planilha disser que a máquina foi um erro, a máquina vira estação de trabalho de alguém, e a empresa segue.

Cuidado

Preço de API muda a cada trimestre, e o Radar de setembro registra modelos abertos por API a uma fração do que se pagava há um ano por qualidade parecida. Data a planilha, anote de onde veio cada preço, e refaça a cada trimestre junto com a bateria. Planilha de custo sem data é uma opinião antiga.

Prática · 10 min

Monte a planilha de custo total

  1. Crie a planilha com a estrutura desta aula: linhas de custo local e de nuvem, três cenários, totais em 12 e 36 meses, bloco não financeiro.
  2. Preencha a linha de gente com as horas da rotina da aula 13 e o custo-hora real da pessoa responsável. Não deixe em zero.
  3. Preencha máquina (a que você já tem ou a que dimensionou na aula 3, dividida pela vida útil) e energia (potência, horas, tarifa da sua conta).
  4. Estime o volume de tokens por dia pela medição da API ou pela aproximação, e marque "medido" ou "estimado".
  5. Busque o preço atual por token na página oficial de pelo menos um fornecedor e anote a data.
  6. Preencha o bloco não financeiro para as suas tarefas da aula 1 e faça as duas perguntas de sensibilidade (gente dobra, volume triplica).
Entregável: a planilha de custo total com três cenários em 12 e 36 meses, volume marcado como medido ou estimado, preços com data e fonte, bloco não financeiro preenchido e as duas análises de sensibilidade.

Resumo da aula

Quiz da aula

Quatro perguntas para fixar. A melhor nota fica guardada para o certificado.

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