Módulo 5 · Operação e projeto final

Projeto final: piloto de IA local para um processo

Aula 15 de 15 Aula de 35 min Atualizado em 29 de setembro de 2026
Progresso no curso100%

Nesta aula

Um piloto é uma promessa pequena que você consegue cumprir. E medir.

Você chegou ao fim do curso com catorze entregáveis na pasta: a tabela de tarefas, os candidatos a modelo, a ficha da máquina, o Ollama rodando, a interface no ar, a bateria de testes, a coleção de documentos, o inventário, as decisões de abordagem, o desenho do ambiente, a política, a chamada de API, a rotina de operação e a planilha de custo. Nenhum deles é o projeto. O projeto é juntar tudo num piloto: um processo real, um grupo pequeno, quatro semanas, critério de sucesso escrito antes e um plano de saída. É o que a IV Help faz com todo cliente antes de qualquer máquina ser comprada. Nesta aula você monta o seu.

O que é um piloto, e o que não é

Piloto é um teste controlado. Ele existe para responder uma pergunta: "vale expandir?". Para responder com honestidade, ele precisa de cinco coisas.

Um processo

Uma tarefa da tabela da aula 1, das que ficaram em local ou híbrido. Não "a IA na empresa": "o resumo dos laudos de vistoria".

Um grupo pequeno

De duas a cinco pessoas que fazem esse processo todo dia e toparam participar. Não a empresa inteira.

Um prazo curto

Quatro semanas é o que eu uso: uma para preparar, duas para usar, uma para avaliar. Prazo aberto vira rotina sem decisão.

Critério de sucesso escrito antes

Um número e uma condição. "Reduzir o tempo de resumo pela metade, com pelo menos nove em dez resumos aprovados pelo revisor sem correção." Escrito na semana zero.

Plano de saída

O que acontece se não der certo: o processo volta ao que era, os documentos saem da coleção, as contas são desativadas. Escrito antes, para ninguém ficar refém do tempo investido.

O que o piloto não é: não é a implantação definitiva com nome de piloto, não é desculpa para comprar a máquina, não é teste sem métrica. E não suspende nada: a política da aula 11 vale desde o primeiro dia, a revisão humana também.

Exemplo real

Uma imobiliária escolheu como piloto o resumo de matrículas de imóveis para a equipe jurídica: três pessoas, quatro semanas, no desktop que já existia. Critério: resumo em menos da metade do tempo, com o revisor aprovando pelo menos nove em dez sem correção. Resultado: tempo caiu para um terço, aprovação ficou em oito de dez. Não bateu o critério. O relatório apontou a causa (matrículas escaneadas antigas, sem OCR bom) e o piloto foi repetido com OCR revisado. Na segunda rodada, bateu. A máquina nova só entrou depois.

A ficha do piloto: juntando o curso numa página

A ficha tem dez campos. Cada um vem de uma aula, e você já tem o material.

CampoDe onde vemO que escrever
1. ProcessoAula 1A tarefa, quem faz, quantas vezes por dia, com qual dado
2. ModeloAulas 2 e 6O vencedor da bateria, com a nota e a data do teste
3. MáquinaAula 3A que vai rodar o piloto, com memória e a decisão "serve para o piloto"
4. AmbienteAulas 4, 5 e 10Ollama, interface, quem acessa e por onde, backup
5. DocumentosAulas 7 e 8A coleção do piloto, com o inventário e a sensibilidade de cada documento
6. AbordagemAula 9Instruções fixas (o texto) e RAG; ajuste fino fora do piloto
7. RegrasAula 11A política de uma página, com a base legal do processo e a revisão humana
8. IntegraçãoAula 12Se houver: qual, onde roda, quem revisa a saída. Se não houver: "pela interface"
9. OperaçãoAula 13Responsável, substituta, checklist semanal, registro de incidentes
10. Custo e critérioAula 14 e estaCusto do piloto, linha de base, critério de sucesso, plano de saída, data da avaliação

Se algum campo estiver vazio, você descobriu o que falta antes de começar, que é o momento certo. Um piloto com o campo 9 vazio (ninguém cuida) não começa.

Linha de base e critério: o antes e o depois

A parte que separa um piloto de uma experiência é a medição. E medição começa antes.

Linha de base (semana zero)

Durante uma semana típica, antes de a IA entrar, meça o processo como ele é: tempo por tarefa (de relógio), quantidade por dia, taxa de erro ou retrabalho (quantas vezes alguém precisou refazer), e a satisfação de quem faz (uma pergunta simples, de 1 a 5). Anote. Sem isso, a semana 4 é opinião.

Critério de sucesso

Um número e uma condição, ligados à linha de base. Exemplos que funcionam:

Os números são seus, não meus: definem-se pela linha de base e pelo que a empresa considera bom. O que não pode é definir depois de ver o resultado.

Medição semanal

Nas semanas de uso, a pessoa responsável mede as mesmas coisas da linha de base, mais a amostra de dez conversas conferidas contra a fonte (aula 13) e os incidentes. Uma linha por semana na planilha do piloto.

Cuidado

Piloto tem efeito de novidade: na primeira semana todo mundo usa, na segunda alguns desistem. Por isso duas semanas de uso, não uma. E converse com quem desistiu: o motivo dele é o dado mais valioso do piloto.

As quatro semanas

  1. Semana 1, preparação. Máquina pronta, modelo instalado e testado, interface com contas do grupo, coleção com os documentos preparados, instruções fixas coladas, política apresentada ao grupo com ciente, linha de base medida (pode ser a semana anterior). Uma sessão de trinta minutos com o grupo: o que é, como usar, o que pode colar, a quem perguntar.
  2. Semana 2, uso com revisão. O grupo usa a IA no processo real, com revisão humana de toda saída. A pessoa responsável fica disponível e anota tudo o que trava. Medição no fim da semana.
  3. Semana 3, uso ajustado. Ajustes de instrução e de documentos com base na semana 2 (aula 9: comportamento é instrução, conhecimento é documento). Uso continua, com revisão. Medição no fim da semana.
  4. Semana 4, avaliação. Comparar com a linha de base e com o critério. Conversar com cada pessoa do grupo, inclusive quem desistiu. Escrever o relatório de uma página. Decidir.

O relatório de uma página

Processo, grupo, período. Linha de base e resultado, lado a lado. Critério: atingido ou não. O que funcionou, o que travou, incidentes. Custo real do piloto (horas e máquina). Recomendação: expandir, ajustar e repetir, ou encerrar. Próximos passos com responsável e data. Esse relatório é o documento que vai para quem decide, e é também o histórico que a próxima pessoa responsável vai ler.

Você pode pedir à própria IA local para rascunhar o relatório a partir das suas anotações, porque elas ficam dentro:

Anexei as anotações semanais e a planilha de medição do piloto. Escreva um relatório de uma página com as seções: processo e grupo; linha de base e resultado lado a lado; critério de sucesso e se foi atingido; o que funcionou; o que travou; incidentes; custo real em horas; recomendação entre expandir, ajustar e repetir ou encerrar; próximos passos com responsável e data. Use só o que está nas anotações. Onde faltar dado, escreva "[dado não registrado]" em vez de estimar. Tom direto, sem adjetivos.

Depois do piloto

Três caminhos, e o relatório escolhe.

E o que vem depois deste curso: se o piloto mostrou que a IA precisa agir, não só responder (abrir a ordem de serviço, mandar o aviso, registrar no sistema), o curso de Agentes de IA é o próximo passo. Se mostrou que o ganho está em conectar a IA aos fluxos do dia (formulário, planilha, e-mail, mensagem), o curso de Automação sem Código continua daqui. Os dois usam o que você montou: a API local da aula 12 é o ponto de encontro.

Dica

Guarde a pasta com os quinze entregáveis e o relatório. Quando alguém propuser "colocar IA na empresa", você abre a pasta e tem, em uma hora, uma resposta que outros levam meses para construir. Isso é a base que este curso queria deixar.

Prática · 10 min

Monte o piloto e deixe pronto para começar

  1. Escolha o processo: uma tarefa da tabela da aula 1 em local ou híbrido, com volume diário e dono claro. Escreva em uma frase.
  2. Escolha o grupo: de duas a cinco pessoas que fazem o processo e toparam. Anote os nomes e a data da sessão de trinta minutos.
  3. Preencha a ficha de dez campos com os entregáveis das aulas. Marque em vermelho os campos vazios e decida: resolve antes ou o piloto não começa.
  4. Defina a linha de base: o que medir (tempo, quantidade, erro, satisfação) e em qual semana. Se possível, comece a medir hoje.
  5. Escreva o critério de sucesso: um número e uma condição, ligados à linha de base. Escreva também o plano de saída.
  6. Monte a planilha de medição semanal com as mesmas colunas da linha de base, mais amostra conferida e incidentes.
  7. Marque as quatro semanas no calendário: preparação, uso com revisão, uso ajustado, avaliação, com a reunião de avaliação já agendada com quem decide.
  8. Apresente a ficha para quem decide e peça um sim com data de início. Se o sim não vier, o relatório do piloto é a própria ficha: registre por que não começou.
Entregável: a ficha do piloto em uma página (dez campos), a linha de base definida e em medição, o critério de sucesso e o plano de saída escritos, a planilha de medição semanal criada e as quatro semanas no calendário com a avaliação agendada.

Resumo da aula

Quiz da aula

Quatro perguntas para fixar. A melhor nota fica guardada para o certificado.

Última aula

Você chegou ao fim do curso IA Local e Segura para Empresas.

Foram 15 aulas. O que fica não é o conteúdo decorado, é a base para decidir melhor daqui pra frente. Se quiser continuar, os outros cursos seguem abertos e gratuitos.

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