Módulo 5 · Operação e projeto final

Operar no dia a dia: atualizar, monitorar, responder

Aula 13 de 15 Aula de 32 min Atualizado em 29 de setembro de 2026
Progresso no curso87%

Nesta aula

O custo real da IA local é gente. Esta aula é sobre o que essa gente faz.

Os guias que eu cito desde a aula 1 são unânimes: operar uma IA local exige de meia a uma pessoa dedicada para atualizar modelos, monitorar e responder a incidentes. Numa empresa pequena, isso não vira um cargo novo; vira parte do papel de alguém, com nome, substituto e tempo reservado na agenda. Nesta aula eu descrevo o que essa pessoa faz na semana, no mês e no trimestre, e como responder quando algo dá errado, porque vai dar. No fim, você monta a rotina semanal da sua operação.

Quem cuida

A primeira decisão da operação é um nome. Não "a TI", não "a equipe": uma pessoa, e uma segunda que sabe fazer o básico quando a primeira está de férias. Se a sua empresa não tem quem possa assumir isso, a decisão honesta é não operar IA local, ou contratar quem opere. A aula 1 já dizia: sem esse nome, o curso te ensina a decidir não fazer.

O que a pessoa responsável faz

Quanto tempo isso leva depende do tamanho da operação. Para uma equipe de dez pessoas com duas coleções e uma integração, a rotina cabe em algumas horas por semana, com picos quando sai modelo novo ou acontece incidente. Reserve o tempo na agenda; rotina que "faz quando der" não acontece.

Dica

A substituta não precisa saber tudo. Precisa saber quatro coisas: reiniciar o serviço, restaurar o backup, desativar uma conta e a quem ligar. Escreva essas quatro numa página e faça a pessoa executar cada uma pelo menos uma vez.

Atualizar sem quebrar

Três coisas se atualizam: os modelos, os programas (Ollama e interface) e o sistema operacional. Cada uma tem um risco diferente.

Modelos

Sai modelo novo todo mês, e a tentação de trocar é grande. A regra: versão nova é candidata, não vencedora. O caminho é o da aula 6:

  1. Baixe a nova versão com ollama pull, mantendo a atual instalada. As duas convivem no disco; ollama list mostra ambas.
  2. Rode a bateria de testes na nova, com a mesma rubrica, e compare com o registro da atual.
  3. Se a nova for melhor de forma clara, troque o modelo padrão na interface e nas integrações. Se não for, fique com a atual e registre por quê.
  4. Depois de uma ou duas semanas sem problema, remova a antiga com ollama rm para liberar disco.

O outro lado da moeda é a armadilha que os guias apontam: tratar modelo antigo como seguro. Modelo não "estraga", mas o mundo muda: surgem modelos que inventam menos, entendem melhor o português e cabem na mesma memória. Por isso a rodada trimestral da bateria existe mesmo quando ninguém reclamou.

Programas

Ollama e interface recebem atualizações frequentes, com correções de segurança. Atualize em janela combinada (fora do horário de pico), com backup feito antes e um teste rápido depois: abrir a interface, fazer uma pergunta, consultar uma coleção, rodar uma chamada de API. Leia as notas da versão; de vez em quando muda algo que afeta a sua configuração.

Sistema operacional

A máquina da IA é um servidor. Patches de segurança do sistema entram no mesmo ritmo dos outros computadores da empresa, e a máquina reinicia em horário combinado. Máquina sem patch numa rede interna é a porta que a aula 10 mandou fechar.

Exemplo real

Uma imobiliária trocou de modelo numa sexta porque "o novo era melhor no ranking". Na segunda, o resumo de contratos passou a vir em inglês numa em cada cinco vezes. A bateria teria pegado isso em quinze minutos. Voltaram para o anterior, rodaram a bateria na semana seguinte, ajustaram a instrução fixa, e só então trocaram de vez.

Monitorar: os sinais que importam

Monitorar não é olhar gráfico bonito. É uma planilha semanal com meia dúzia de linhas, preenchida pela pessoa responsável, e um olhar treinado para o que mudou.

SinalComo verO que indica
Memória e modelos carregadosollama ps e o monitor do sistemaDois modelos carregados numa máquina apertada explicam lentidão
DiscoEspaço livre; ollama list para ver o tamanho dos modelosModelos antigos acumulados; disco cheio derruba a interface
LentidãoTempo de resposta numa pergunta padrão, medido toda semanaMais usuários que a máquina aguenta, ou modelo trocado sem querer
Taxa de "não encontrei"Amostra do histórico ou relato da equipeDocumento faltando ou desatualizado nas coleções
QualidadeAmostra de 10 conversas por semana, conferida contra a fonteInvenção, fonte errada, instrução ignorada
Erros de APIRegistro das integraçõesServiço parado, modelo renomeado, JSON quebrado
Uso fora do padrãoTrilha de auditoria (aula 11)Conta usando de madrugada, volume anormal, acesso a coleção restrita

A amostra de dez conversas é o sinal mais valioso e o mais negligenciado. Dez conversas por semana, escolhidas ao acaso, conferidas contra a fonte com a rubrica da aula 6. Se a taxa de invenção subir, você descobre antes do cliente. Lembre da política: a amostra é lida com justificativa e dentro do prazo de retenção, não para vigiar quem perguntou.

Cuidado

Monitoramento que vira vigilância de produtividade ("fulano usou pouco a IA") destrói a confiança da equipe e cria problema jurídico. Os sinais são da máquina, das coleções e da qualidade. Pessoa entra no monitoramento só em caso de uso anormal com indício de incidente.

Responder a incidentes

Incidente é qualquer coisa que a operação não previa: máquina caiu, resposta errada chegou ao cliente, alguém acessou o que não devia, documento sensível entrou na coleção geral por engano, suspeita de vazamento. O método é o mesmo para todos, em quatro passos.

  1. Conter. Parar o que está causando dano: pausar a integração, desativar a conta, tirar o documento da coleção, desligar a máquina da rede se for o caso. Antes de entender a causa.
  2. Registrar. Data, hora, o que aconteceu, quem percebeu, o que foi feito. No mesmo dia, num registro que sobreviva (não numa conversa de mensagem).
  3. Comunicar. A quem a política diz (aula 11). Se envolver dado pessoal, quem responde pela LGPD decide se a ANPD e os titulares precisam ser avisados; isso tem prazo e não é decisão da pessoa responsável pela operação sozinha.
  4. Corrigir e aprender. Investigar a causa, corrigir, e escrever o que mudou na rotina para não repetir. Um incidente sem mudança de rotina é um incidente que vai voltar.

Você pode usar um assistente de nuvem para montar o modelo de registro de incidente, porque ele não tem dado real:

Contexto: sou responsável pela IA local de uma clínica pequena. Tarefa: crie um modelo de registro de incidente em uma página, para ser preenchido em até 10 minutos, com estes campos: identificação (data, hora, quem percebeu), descrição do fato, dados envolvidos (tipo, não o conteúdo), ações de contenção tomadas e horário, quem foi comunicado, causa provável, correção aplicada, mudança na rotina, data da revisão. Acrescente, ao lado de "dados envolvidos", uma caixa com a pergunta: "envolve dado pessoal? se sim, acionar o responsável pela LGPD imediatamente". Formato: lista de campos com uma linha de instrução curta em cada.

A rotina: semana, mês, trimestre

Toda semana

Olhar os sete sinais da tabela. Conferir a amostra de 10 conversas. Verificar que o backup rodou. Ler os pedidos de documento novo. Responder às dúvidas da equipe. Anotar tudo na planilha.

Todo mês

Atualizar Ollama e interface em janela combinada. Revisar contas e permissões (quem saiu? quem mudou de área?). Conferir as coleções com os donos. Ver se saiu modelo candidato e agendar a bateria.

Todo trimestre

Rodar a bateria completa no modelo atual e nos candidatos. Testar a restauração do backup. Revisar o inventário de documentos, a política e o desenho do ambiente. Revisar o custo real (aula 14).

A rotina cabe numa página, com caixas para marcar. Ela é o que transforma "a gente cuida" em "está cuidado": quando alguém perguntar, você mostra a planilha das últimas semanas.

Prática · 10 min

Monte a rotina semanal de operação

  1. Escreva o nome da pessoa responsável e da substituta. Se não houver, escreva "a definir" e a data-limite para definir.
  2. Monte o checklist semanal com os sete sinais da tabela, o backup e a amostra de 10 conversas. Uma linha por item, com "como ver" ao lado.
  3. Acrescente as tarefas mensais e trimestrais, com o mês ou a data prevista da primeira ocorrência.
  4. Crie o registro de incidentes com os campos desta aula, mesmo que fique vazio.
  5. Escreva a página da substituta: reiniciar o serviço, restaurar o backup, desativar uma conta, a quem ligar.
  6. Marque a primeira rodada semanal no calendário da pessoa responsável, com hora.
Entregável: a rotina de operação numa página (semanal, mensal, trimestral), com responsável e substituta nomeados, o registro de incidentes criado e a página da substituta escrita.

Resumo da aula

Quiz da aula

Quatro perguntas para fixar. A melhor nota fica guardada para o certificado.

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