Módulo 4 · Rotinas do negócio

Modelos reutilizáveis: a sua biblioteca de pedidos

Aula 10 de 15 Aula de 25 min Atualizado em 29 de setembro de 2026
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Nesta aula

Quem escreve o mesmo pedido pela terceira vez está pagando uma dívida que não precisava existir.

Lá na aula 03 você reescreveu três pedidos com o método das cinco partes, e eu disse que eles eram a semente da sua biblioteca. Chegou a hora de plantar. Nas últimas seis aulas você produziu pedidos para e-mail, resumo, ata, planilha, pesquisa e apresentação. Se cada um deles foi escrito e esquecido, o trabalho de pensar o pedido vai se repetir toda semana. Uma biblioteca de pedidos é o oposto disso: pensa uma vez, usa sempre. Hoje você monta a sua.

Resposta salva ou modelo salvo: a diferença que importa

Muita gente guarda respostas boas da IA. Copia o e-mail que ficou perfeito e cola numa pasta. Isso ajuda uma vez. Na semana seguinte a situação é um pouco diferente, o e-mail salvo não serve, e a pessoa volta a escrever o pedido do zero.

O que vale guardar é o pedido, não a resposta. Um pedido que funcionou, com as partes fixas escritas de vez e as partes variáveis marcadas entre colchetes, vira uma receita. Toda vez que a situação parecida aparece, você preenche os colchetes e recebe uma resposta nova no mesmo padrão. É isso que eu chamo de modelo.

O que fica fixo e o que vira campo

Volte às cinco partes da aula 03. Contexto sobre o negócio, formato e regras de tom quase nunca mudam: ficam escritos. Situação específica, nome do produto, prazo, texto a ser trabalhado mudam sempre: viram campos.

Exemplo real

Uma padaria com encomendas de bolo respondia a cada pedido de orçamento pelo WhatsApp escrevendo tudo de novo. A dona transformou a melhor resposta num modelo com quatro campos: [tipo de bolo], [tamanho ou fatias], [data de entrega] e [observação do cliente]. O texto fixo já trazia o tom da casa, a política de sinal e o prazo mínimo de encomenda. O tempo de responder um orçamento caiu de vários minutos de digitação para preencher quatro campos e revisar.

Repare que o modelo da padaria não guarda o nome de nenhum cliente. Ele guarda o jeito de responder. O dado real entra só na hora de usar, e mesmo assim só o que a IA precisa: o tipo de bolo, não o telefone de quem pediu.

Anatomia de um modelo

Um modelo bom tem cinco linhas de cabeçalho e o corpo do pedido. O cabeçalho é para você achar e confiar; o corpo é o que vai para o assistente. Veja o modelo completo da padaria:

NOME: Orçamento de bolo por encomenda QUANDO USAR: cliente pergunta preço ou disponibilidade de bolo pelo WhatsApp CAMPOS: [tipo de bolo] [tamanho ou fatias] [data de entrega] [observação do cliente] ÚLTIMO USO QUE DEU CERTO: 22 de setembro de 2026 VERSÃO: 2 (a versão 1 não dizia o prazo mínimo e gerava ida e volta) Contexto: sou dona de uma padaria de bairro que faz bolos por encomenda. Encomendas precisam de 48 horas de antecedência e pedimos sinal de metade na confirmação. Tarefa: escreva a resposta de orçamento para um cliente que pediu [tipo de bolo], [tamanho ou fatias], para [data de entrega]. Observação dele: [observação do cliente]. Formato: até 5 linhas, para WhatsApp. Tom simpático e direto, como quem conhece o cliente. Confirme se a data respeita as 48 horas; se não respeitar, ofereça a primeira data possível. Deixe o valor como [VALOR] para eu preencher. Explique o sinal em uma frase. Sem emoji.

Três coisas para observar. Primeira: o valor fica como [VALOR] para a dona preencher, porque preço é fato do negócio e a IA não sabe. Segunda: a regra das 48 horas está no contexto, então a IA já confere a data sozinha. Terceira: a linha VERSÃO guarda por que o modelo mudou, o que evita repetir um erro que já foi corrigido.

Modelo de instrução, não só de pedido

Também vale guardar na biblioteca as instruções pessoais da aula 02 (quem sou, como escrevo, o que não faço) e as instruções de projeto quando você as tiver. Elas são a base de todos os modelos, e se um dia você trocar de assistente ou perder a conta, é o primeiro texto que você vai querer de volta.

Dica

Peça ajuda à própria IA para transformar um pedido em modelo. Cole o pedido que funcionou e escreva: "transforme este pedido num modelo reutilizável, marcando entre colchetes tudo que muda de uma situação para outra, e mantendo fixo o que é regra do meu negócio". Depois revise: ela costuma acertar os campos e às vezes exagera, transformando em campo o que deveria ficar fixo.

Organizar por tarefa, não por data

A biblioteca só funciona se você achar o modelo em menos tempo do que levaria para escrever o pedido. Isso significa organizar pelo que você precisa fazer na hora de usar. Ninguém procura "o modelo de setembro"; a pessoa procura "responder e-mail de cobrança".

Em quase todo negócio pequeno as tarefas caem em cinco grupos, que são os capítulos da biblioteca:

Comunicação

E-mails, mensagens de WhatsApp, avisos, respostas difíceis, follow-up. Os modelos da aula 04 e da aula 06 moram aqui.

Documentos

Resumir, estruturar, revisar, comparar versões. Aulas 05 e 12.

Números

Fórmulas explicadas, limpeza de dados, análise de tabela colada. Aula 07.

Atendimento

Respostas padrão, FAQ, tom da empresa. Aula 11, a próxima.

Pensar e planejar

Pesquisa com fontes, roteiro de apresentação, lista de opções, crítica de um plano. Aulas 08 e 09.

Dentro de cada grupo, um modelo por tarefa recorrente. Não precisa de muitos. Um escritório contábil que atende comércio local chegou a 12 modelos e parou: cobrança de documento atrasado, aviso de vencimento de imposto, explicação de guia para cliente leigo, resumo de reunião, resposta a dúvida sobre nota fiscal, e por aí vai. Cada um usado várias vezes por semana. Modelo que não foi usado em dois meses vai para uma seção "arquivo" e sai da frente.

Cuidado

Modelo criado a partir de conversa real carrega risco: sobrou o nome do cliente no meio do texto, o valor da proposta, o telefone. Antes de salvar, leia procurando nome de pessoa, número de documento, valor com nome ao lado e endereço. Troque tudo por marcador entre colchetes. A biblioteca vai ser compartilhada com a equipe, e um dado esquecido ali se espalha. A aula 13 aprofunda esse cuidado.

Onde guardar

Existem três lugares, e o certo é usar os três em camadas.

1. O documento, que é a fonte

O seu Meu curso de IA, ou um documento próprio chamado Biblioteca de pedidos, é a cópia principal. Texto puro, com um título por grupo e um subtítulo por modelo. Ele não depende de nenhum assistente, sobrevive à troca de ferramenta e pode ser compartilhado com a equipe com um link. Se você só fizer uma coisa desta aula, faça esta.

2. O projeto do assistente, que é a mão na massa

Se o seu assistente tem projetos (ou pastas de conversa com instruções próprias), crie um por grupo da biblioteca. No projeto "Atendimento", por exemplo, as instruções do projeto trazem o tom da empresa e a política de troca, e os modelos ficam anexados como arquivo ou colados nas instruções. Toda conversa aberta ali já nasce com esse contexto, e o modelo vira só "use o modelo de orçamento de bolo com estes campos".

3. As instruções pessoais, que são o chão

O que vale para todos os modelos, tom, regras de formato, o que não fazer, não deve ser repetido em cada um. Fica nas instruções pessoais, tema da aula 02. Assim os modelos ficam mais curtos e, quando você muda uma regra geral, muda num lugar só.

Exemplo real

Uma imobiliária de médio porte fez as três camadas. Instruções pessoais com o tom da casa. Um projeto "Anúncios" com o padrão de descrição de imóvel e um projeto "Locação" com a política de garantias. Documento compartilhado com 15 modelos. Quando uma corretora nova entrou, recebeu o link do documento e o acesso aos projetos no primeiro dia. Em uma semana escrevia anúncios no padrão da empresa sem ninguém ter que explicar o padrão.

Manter viva

Biblioteca parada apodrece. Duas rotinas curtas resolvem: ao usar um modelo, atualizar a linha "último uso que deu certo" e, se mudou algo, subir a versão com o motivo. Uma vez por mês, dez minutos para arquivar o que não foi usado e promover um pedido novo que se repetiu. Na aula 14 essa biblioteca vira também a lista de candidatos a automação: o modelo mais usado é o primeiro que vale automatizar.

Prática · 10 min

Monte a sua biblioteca com 10 modelos

  1. No documento Meu curso de IA, crie o título "Aula 10: minha biblioteca de pedidos" e, embaixo, os cinco grupos: Comunicação, Documentos, Números, Atendimento, Pensar e planejar.
  2. Recupere os pedidos que você já escreveu nas práticas das aulas 03 a 09 (no mínimo os 3 da aula 03). Para cada um, escreva o cabeçalho de cinco linhas (nome, quando usar, campos, último uso, versão) e marque entre colchetes tudo que muda de uma situação para outra.
  3. Leia cada modelo procurando nome de pessoa, telefone, valor com nome, endereço ou qualquer dado real. Troque por marcador entre colchetes.
  4. Complete até 10 modelos. Se faltar, pense nas tarefas mais repetidas da sua semana e escreva o pedido novo com as cinco partes, ou peça à IA para transformar uma resposta boa antiga em modelo e revise.
  5. Teste 2 modelos agora: preencha os campos com uma situação real (sem dado de pessoa), envie ao assistente e confira se a resposta sai no padrão esperado. Ajuste o modelo se precisar e anote a versão.
  6. Se o seu assistente tem projetos, crie um para o grupo que você mais usa e cole ali os modelos desse grupo. Se não tem, marque no documento qual grupo seria o primeiro projeto.
Entregável: um documento com 10 modelos de pedido organizados em cinco grupos, com cabeçalho, campos entre colchetes e sem dado real, dois deles testados hoje. Esse documento é o seu kit de pedidos, que volta pronto no projeto final da aula 15.

Resumo da aula

Quiz da aula

Quatro perguntas para fixar. A melhor nota fica guardada para o certificado.

Aula 10 de 15

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