Nesta aula
Tudo vai quebrar em algum momento. A diferença entre pânico e rotina é saber ler o erro e ter para onde voltar.
Programador experiente não erra menos; ele tem um método para quando erra. Duas partes: ler o erro com calma e pedir a correção certa, e ter cada versão que funcionou guardada, para voltar em segundos quando a correção piora as coisas. Nesta aula você aprende as duas. A segunda usa o git, uma ferramenta que assusta pelo nome, mas que para o nosso uso são quatro comandos.
- Ao final, você vai saber ler uma mensagem de erro e transformá-la num pedido de correção que a IA resolve de primeira.
- Vai entender o que é git, o que é um commit, e usar os quatro comandos que bastam.
- Vai sair com três erros corrigidos e três versões salvas no histórico do seu projeto.
Ler o erro: onde ele aparece e o que ele diz
Quando algo dá errado, quase sempre existe uma mensagem. O problema é que ela aparece em lugares que a maioria das pessoas não olha:
- No terminal, quando o servidor da aula 8 não sobe ou um comando falha. As últimas linhas costumam ter a causa.
- No console do navegador, quando um botão não faz nada. Aperte F12 (ou botão direito, "inspecionar") e abra a aba "Console". Erros aparecem em vermelho, com o nome do arquivo e a linha.
- Na própria tela, quando o app foi feito para mostrar erros claros (como você pediu na aula 8).
Você não precisa entender a mensagem. Precisa copiá-la inteira. Uma mensagem como TypeError: Cannot read properties of null (reading 'value') at index.html:87 diz muito para a IA: o tipo do erro, o que estava tentando ler, o arquivo e a linha. Para você, basta saber que "linha 87 do index.html" é onde olhar.
O pedido de correção que funciona
Quatro ingredientes: o sintoma, a mensagem de erro colada, o que você fez, o que esperava. E o limite "só esse problema". Com isso, a IA acerta na maioria das vezes. Sem isso, ela chuta, e o chute pode quebrar outra coisa.
Exemplo real
Dona de loja de roupas com uma ferramenta de controle de trocas. O botão "registrar" parou de funcionar depois de um ajuste de layout. Ela abriu o console, viu o erro em vermelho, colou na conversa com o "o que fiz / o que esperava". A IA respondeu: "ao mudar o layout, renomeei o campo de data e esqueci de atualizar a parte que lê o campo". Corrigiu em uma linha. Sem o console, ela teria pedido "arruma o botão" e recebido um botão novo com outro bug.
Dica
Quando a IA disser "corrigido" e o erro continuar, não repita o mesmo pedido. Diga: "o erro continua igual depois da sua correção; aqui está a mensagem atual", e cole de novo. Se na terceira tentativa não resolver, peça: "explique o que pode estar causando isso em 3 hipóteses, e como testar cada uma". Sair da correção cega para a investigação costuma destravar.
Git: o que é, sem mistério
O git é um programa que guarda o histórico de um projeto. Cada vez que você "salva uma versão" (o nome disso é commit), o git tira uma foto de todos os arquivos da pasta e guarda com uma mensagem sua. Você pode ver a lista de fotos, comparar duas, e voltar a qualquer uma. É a cópia index-v1.html da aula 5, só que automática, para todos os arquivos, com histórico e sem bagunça de nomes.
Tudo acontece no seu computador, numa pasta escondida chamada .git dentro da pasta do projeto. Nada vai para a internet a menos que você mande (e neste curso não vamos mandar; os serviços de hospedagem que "conectam a um repositório" usam isso, mas fica para depois).
O git precisa estar instalado. No Mac e no Linux costuma vir ou ser instalado com um comando do sistema; no Windows, pela página oficial (git-scm.com). Se a ferramenta de IA disser que o git não está instalado, peça a ela o passo a passo para o seu sistema, ou instale pela página oficial. O Cursor e o Claude Code trabalham bem com o git, e inclusive podem rodar os comandos para você, mas aprenda a rodar você mesmo: são quatro.
Os quatro comandos
| Comando | O que faz | Quando usar |
|---|---|---|
git init | Começa o histórico na pasta atual | Uma vez, no início do projeto |
git add . | Marca todos os arquivos alterados para entrar na próxima foto | Antes de cada commit |
git commit -m "mensagem" | Tira a foto e guarda com a mensagem | Toda vez que algo funcionou |
git log --oneline | Mostra a lista de fotos, uma por linha | Para ver o histórico |
Na primeira vez, o git pode pedir para você dizer seu nome e e-mail (é a assinatura das fotos). Ele mostra os dois comandos para isso na própria mensagem; copie e rode. Depois, o ciclo é sempre git add . e git commit -m "...".
Uma boa mensagem de commit
A mensagem é para você daqui a três meses. "ajustes" não diz nada. "corrige botão exportar que não baixava o arquivo" diz tudo. Regra: o que mudou e por quê, em uma linha. Exemplos que uso:
git commit -m "primeira versão do cadastro de pedidos"
git commit -m "impede adicionar com cliente vazio"
git commit -m "corrige soma por prato depois de apagar item"
git commit -m "botões maiores no celular"
Rode git log --oneline e você vê a história do projeto em ordem. É o primeiro documento de manutenção que existe, e ele se escreve sozinho se as mensagens forem boas.
O que nunca entra no histórico
Lembra da chave de API da aula 8? Se ela está num arquivo .env na pasta, o git add . vai colocá-la no histórico. E o que entra no histórico é difícil de tirar: mesmo apagando o arquivo depois, a versão antiga continua guardada. Se um dia você compartilhar a pasta ou conectar a um serviço, a chave vai junto.
A proteção é um arquivo chamado .gitignore, na raiz da pasta, com a lista do que o git deve ignorar. Uma linha por item:
.env
*.log
node_modules/
A primeira linha é a chave. As outras são coisas que a IA pode ter criado e que não são código seu (registros de execução, pastas de bibliotecas baixadas). Peça à IA: "crie um .gitignore adequado para este projeto, incluindo obrigatoriamente o .env e qualquer arquivo com credencial". Depois confira que o .env está lá.
Cuidado
Crie o .gitignore ANTES do primeiro git add .. Se a chave já entrou num commit, a única solução segura é trocar a chave no provedor (revogar a antiga, criar uma nova), porque remover do histórico é trabalhoso e fácil de fazer errado. Vale como regra geral de segurança: segredo que apareceu onde não devia se troca, não se apaga.
Voltar atrás quando a correção piora
O cenário: você pediu uma correção, a IA mexeu em cinco lugares, e agora dois botões pararam. Com o histórico, você tem opções, e a mais simples nem exige comando novo: diga à IA "a última mudança quebrou os botões X e Y; use o git para desfazer as alterações que ainda não foram commitadas e me mostre o que voltou". Ela sabe fazer isso, e você aprova cada passo. Se o commit já foi feito, peça "volte o arquivo index.html para a versão do commit anterior e me explique o que vai mudar". O ponto é: o histórico existe, e a IA sabe usá-lo se você pedir.
Por isso o ritmo importa: commit a cada mudança pequena que funcionou. Se você fez um commit por correção, voltar uma versão perde só aquela correção. Se fez um commit por dia, voltar perde o dia.
Prática · 10 min
Corrija três erros e salve três versões
- Abra o terminal na pasta da ferramenta da aula 7 (ou da aula 8). Peça à IA um
.gitignoreadequado, confirmando que inclui.env. Rodegit init, depoisgit add .egit commit -m "primeira versão da ferramenta". Se o git pedir nome e e-mail, configure como ele indicar. - Rode
git log --oneline. Deve aparecer uma linha. Essa é a sua versão zero. - Provoque o erro 1: peça à IA "adicione um campo de observação no formulário" e depois teste tudo. Se algo quebrou (frequentemente quebra), abra o console (F12), copie o erro e peça a correção no formato da aula. Se nada quebrou, ótimo: teste os campos vazios e a quantidade negativa até achar um comportamento errado.
- Corrigido e testado?
git add .egit commit -m "descreva a correção". - Repita para mais dois erros: peça mudanças pequenas (ordenar a lista por hora; mostrar a quantidade total no topo), teste, corrija o que quebrou com a mensagem de erro colada, commit.
- Rode
git log --onelinede novo. Quatro linhas que contam a história. Abra uma delas na conversa: "me mostre o que mudou entre o segundo e o terceiro commit". Leia a resposta.
.gitignore protegendo a chave, pelo menos quatro commits com mensagens claras (a primeira versão e três correções), e você sabendo abrir o console do navegador.Resumo da aula
- Erros aparecem no terminal, no console do navegador (F12) ou na tela. Copie a mensagem inteira.
- Pedido de correção: sintoma, mensagem colada, o que fez, o que esperava, "só esse problema".
- Git guarda o histórico no seu computador. Commit é uma foto dos arquivos com uma mensagem.
- Quatro comandos:
git init,git add .,git commit -m "mensagem",git log --oneline. .gitignoreantes do primeiro add, com.envdentro. Segredo que vazou se troca, não se apaga.- Commit a cada mudança pequena que funcionou. Voltar atrás perde pouco quando o ritmo é esse.
Quiz da aula
Quatro perguntas para fixar. A melhor nota fica guardada para o certificado.
Isaque Victor cursos gratuitos