Módulo 3 · Sua ferramenta

IA dentro do app: chave de API, custo por uso e onde a chave nunca fica

Aula 8 de 12 Aula de 30 min Atualizado em 29 de setembro de 2026
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Nesta aula

Colocar IA dentro do seu app é fácil. Colocar sem vazar a chave que paga a conta é o que importa.

Até agora você usou a IA para construir. Agora o app vai usar a IA por dentro: um botão que resume um texto, classifica uma mensagem, sugere uma resposta. Para isso o app precisa de uma chave de API, e essa chave é dinheiro. O erro mais comum que vejo em projetos feitos por quem não programa é a chave dentro de um arquivo que o navegador baixa. Nesta aula você entende o que é a chave, como se paga, onde ela nunca pode ficar, e faz um botão de resumo funcionar do jeito certo.

Chat e API: a mesma IA, dois jeitos de pagar

Quando você usa o Claude, o ChatGPT ou o Gemini pelo site ou pelo aplicativo, está usando o chat: uma assinatura mensal (ou o plano gratuito) para uma pessoa conversar. Quando o seu app precisa chamar o modelo, ele usa a API: uma porta para programas, cobrada por uso. São contas separadas. Ter assinatura do chat não dá uso de API, e vice-versa.

A API funciona assim: o seu app manda um pedido (o texto a resumir e as instruções) para o servidor do provedor, junto com a chave que identifica a sua conta. O provedor processa e devolve a resposta. Cada ida e volta é cobrada pelo tamanho do que foi enviado e recebido, medido em tokens (pedaços de palavra). Textos maiores e respostas longas custam mais. Modelos mais capazes custam mais por token do que modelos menores.

Como não ter surpresa na conta

Exemplo real

Escritório contábil recebe dezenas de e-mails longos de clientes por dia. Um botão "resumir e listar o que o cliente pede" economiza minutos por e-mail. Com modelo pequeno e limite mensal definido, o custo mensal ficou abaixo do que o escritório gasta com café. Sem o limite, um estagiário testando o botão em loop poderia ter feito a conta explodir na primeira semana.

A regra que não tem exceção: a chave nunca vai no que o navegador baixa

Aqui está o ponto central da aula. Tudo o que está num arquivo HTML, CSS ou JavaScript de um site publicado é baixado pelo navegador de cada visitante. Qualquer pessoa pode abrir o código-fonte (botão direito, "exibir código-fonte") e ler. Se a chave está lá, ela está pública. Não importa se está "escondida" no meio do código, em letras trocadas, ou numa linha que "ninguém vai ver". Bots varrem a internet procurando exatamente isso, e uma chave vazada é usada em minutos, na sua conta.

A IA sabe dessa regra, mas se você pedir "coloque a chave no index.html para funcionar", ela pode obedecer, com um aviso que você talvez não leia. Por isso a regra é sua, não dela.

Então onde a chave fica?

Do lado que o visitante não vê: um programa que roda num servidor (ou no seu computador, para uso local). O navegador manda o texto para esse programa; o programa, que tem a chave, chama o provedor e devolve a resposta ao navegador. O visitante nunca vê a chave. Esse programa intermediário tem nomes técnicos (proxy, backend, função serverless), mas a ideia é só essa: um porteiro que guarda a chave.

Uso local (esta aula)

Um servidor pequeno roda no seu computador. A chave fica numa variável de ambiente do sistema, fora da pasta do projeto. Só funciona na sua máquina. Perfeito para ferramenta de uma pessoa e para aprender.

Publicado com intermediário

Uma função no serviço de hospedagem guarda a chave e responde ao navegador. Vários serviços de hospedagem estática oferecem isso. É o passo seguinte, quando a ferramenta precisa estar no ar para a equipe.

Modelo local, sem chave

Rodar um modelo aberto no próprio computador (com o Ollama, por exemplo) elimina a chave e o custo por uso. Menos capaz, mas para resumo e classificação pode bastar. É o assunto de outro curso do site.

Cuidado

A variável de ambiente é um jeito de guardar um valor no sistema, fora de qualquer arquivo do projeto. O nome costuma ser algo como ANTHROPIC_API_KEY ou OPENAI_API_KEY, conforme o provedor. Se a IA sugerir um arquivo .env na pasta do projeto, tudo bem para uso local, mas esse arquivo nunca pode ser publicado nem entrar no git (aula 9 mostra como excluir). Regra prática: se a chave está num arquivo, esse arquivo não sai do seu computador.

O pedido: botão que resume um texto, com a chave fora do código

Você vai pedir duas coisas: a página com o botão, e o servidor pequeno que guarda a chave e chama o provedor. A IA escolhe a tecnologia do servidor; você define as regras. Antes, crie a chave na página oficial do provedor (na área de API da sua conta) e defina o limite mensal. Copie a chave para um lugar seguro, como o gerenciador de senhas. Ela aparece só uma vez.

Contexto: sou contador e quero uma ferramenta interna, para uso só no meu computador, com uma caixa de texto onde colo um e-mail longo de cliente e um botão "resumir" que devolve o resumo em 3 linhas e a lista do que o cliente está pedindo. Tarefa: crie nesta pasta (1) um arquivo index.html com a caixa de texto, o botão e a área de resultado; (2) um servidor local pequeno, na tecnologia mais simples que você conseguir instalar aqui, que recebe o texto do index.html, chama a API do Claude usando a chave e devolve o resultado. Regras obrigatórias: a chave de API deve ser lida de uma variável de ambiente chamada ANTHROPIC_API_KEY e NUNCA pode aparecer em nenhum arquivo desta pasta; use o modelo mais econômico que faça bem essa tarefa; limite o texto enviado a 4000 caracteres e avise se passar; mostre um erro claro na tela se a chave não estiver definida ou se a chamada falhar; sem bibliotecas além do necessário. Depois de criar: me explique como definir a variável de ambiente no meu sistema, como iniciar o servidor, como abrir a página, e confirme, listando os arquivos, que a chave não está em nenhum deles.

Repare em "NUNCA pode aparecer em nenhum arquivo desta pasta" e no pedido final de confirmação. Você está fazendo a IA auditar o próprio trabalho. Depois, faça a sua auditoria: abra cada arquivo no editor e use a busca (Ctrl + F) procurando por um pedaço da chave. Não pode aparecer.

Se o seu provedor for outro (OpenAI, Google), troque o nome da API e da variável no pedido; a estrutura é a mesma. Se preferir não ter chave nenhuma, peça a versão com Ollama: "em vez da API, chame um modelo local do Ollama que já está rodando nesta máquina".

Rodar, testar, ver o custo

Siga as instruções que a IA deu: definir a variável de ambiente, iniciar o servidor (um comando no terminal), abrir a página pelo endereço local que ela indicar (algo como http://localhost:3000; "localhost" quer dizer "este computador"). Cole um e-mail inventado e clique em resumir. Depois de alguns testes, abra o painel do provedor e veja o consumo. É a primeira vez que você vê o custo de uma chamada de verdade, e vale a pena olhar.

Dica

Teste também o caminho ruim: pare o servidor e clique no botão; apague a variável de ambiente e reinicie; cole um texto de 10 mil caracteres. Cada um deve dar um erro claro na tela, não uma página travada. Se travar, é um ajuste a pedir: "quando o servidor não responde, mostre 'servidor não está rodando' em vez de ficar carregando".

O que enviar para a IA, e o que não enviar

Quando o app manda um texto para o provedor, esse texto sai do seu computador e vai para os servidores dele. É o mesmo cuidado de colar texto no chat: nada de dado sensível de terceiros sem necessidade e sem base para isso. Para o botão de resumo do contador, isso significa: e-mails de clientes contêm dados pessoais e às vezes financeiros. Duas atitudes práticas:

Na aula 10, o checklist de segurança junta isso com o resto. Por enquanto, a regra: o app manda o mínimo necessário, e nunca manda o que você não mandaria por e-mail para um estranho.

Prática · 10 min

Faça o botão "resumir" funcionar com a chave fora do código

  1. Na página oficial do provedor, defina o limite mensal de gasto e crie a chave de API. Guarde no gerenciador de senhas. Não cole em nenhum arquivo da pasta.
  2. Crie uma pasta nova (por exemplo, resumo-emails), abra a ferramenta de IA nela e cole o pedido desta aula, adaptado ao seu negócio (o que você quer resumir ou classificar).
  3. Siga as instruções para definir a variável de ambiente, iniciar o servidor e abrir a página. Se algo falhar, cole a mensagem de erro inteira na conversa e peça a correção.
  4. Teste com três textos inventados. Confira se o resumo faz sentido e se a lista de pedidos bate com o texto.
  5. Teste os caminhos ruins: servidor parado, chave ausente, texto grande demais. Cada um deve mostrar um erro claro.
  6. Audite: abra cada arquivo da pasta no editor e procure por um pedaço da chave. Depois olhe o consumo no painel do provedor e anote quanto custaram os testes.
Entregável: a ferramenta com o botão "resumir" funcionando no seu computador, a chave guardada numa variável de ambiente e ausente de todos os arquivos, três testes bons e três caminhos ruins com erro claro, e o consumo anotado.

Resumo da aula

Quiz da aula

Quatro perguntas para fixar. A melhor nota fica guardada para o certificado.

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