Módulo 3 · Empresa

Plano de resposta: se vazou, se caiu no golpe, se o agente errou

Aula 8 de 8 Aula de 25 min Atualizado em 29 de setembro de 2026
Progresso no curso100%

Nesta aula · Projeto final

Uma hora de incidente com plano vale mais do que um dia sem. Vamos escrever o seu.

Última aula, e ela junta tudo. Nas sete anteriores, você aprendeu a reconhecer golpes, a verificar, a proteger contas, a não colar o que não deve, a configurar as ferramentas, a cuidar da família e a escrever a política da empresa. Mesmo assim, uma hora algo vai dar errado, porque dá errado com todo mundo. A diferença entre um susto e um prejuízo grande é ter um plano escrito antes: o que fazer nas primeiras 24 horas, quem avisar, o que a lei pede, e os telefones já anotados. O projeto final é esse plano, em uma página, que vai morar no verso da política da aula 7.

A sequência que serve para tudo: conter, registrar, avaliar, comunicar, aprender

Todo incidente, de qualquer tipo, segue a mesma ordem. Decorar a ordem é o que impede a reação errada na hora do nervoso.

  1. Conter (primeira hora). Parar o que ainda está acontecendo. Bloquear a conta, trocar a senha, pausar o agente, ligar para o banco, desconectar o aparelho. Antes de entender tudo, antes de procurar culpado, antes de avisar clientes. Fecha a torneira.
  2. Registrar (primeiras horas). Anotar o que aconteceu, quando, como foi descoberto, o que foi feito. Guardar prints, e-mails, números, comprovantes. Não apagar nada: a evidência é o que vai permitir devolução, boletim e comunicação correta.
  3. Avaliar (primeiro dia). O que exatamente saiu ou foi perdido? De quem? Qual o risco para essas pessoas? É um dado de contato ou é saúde e CPF? Isso define o tamanho da comunicação.
  4. Comunicar (primeiro dia, conforme o caso). Quem precisa saber, na ordem: quem responde na empresa, o banco (se houve dinheiro), os afetados (se houve dado), a autoridade (se a LGPD pede), a polícia (boletim), o contador ou advogado (se tiver). Com honestidade e sem drama.
  5. Aprender (primeira semana). O que faltou? Uma regra, um protocolo, uma configuração? Ajustar a política, treinar a equipe, marcar a revisão. Sem procurar culpado individual: o que falhou foi o processo.

Dica

Escreva os cinco verbos no topo da página do plano, em letra grande. Na hora do incidente, a pessoa que abrir a página precisa ver primeiro a ordem, não os detalhes.

Cenário 1: vazou (dado de cliente saiu de onde não devia)

Exemplos: alguém colou a planilha de clientes na IA, um e-mail com anexo foi para a pessoa errada, um aparelho com o WhatsApp da empresa foi perdido, uma conta foi invadida.

A LGPD em linguagem simples, para o dia do incidente

A lei brasileira de proteção de dados espera três coisas de uma empresa quando dados pessoais vazam com risco para as pessoas. Primeira: que a empresa comunique o incidente à autoridade nacional, a ANPD, em prazo curto. Segunda: que comunique também as pessoas afetadas, dizendo o que vazou, qual o risco e o que a empresa está fazendo. Terceira: que a empresa consiga mostrar que cuidava dos dados de forma razoável antes (política, contas protegidas, regras de acesso). Prazos, formulário e critérios do que precisa ser comunicado estão no site da ANPD e mudam; no dia, confira lá ou com um advogado. Em empresa pequena, o "encarregado" pelos dados costuma ser o próprio dono; coloque esse nome na página.

Comunicar as pessoas parece assustador, mas é o contrário: dá a elas a chance de se proteger (trocar senha, desconfiar de ligação) e mostra que a empresa é séria. Um texto honesto e curto resolve. Este pedido ajuda a escrever, e repare que não entra nada real:

Contexto: sou dono de uma [tipo de negócio] pequena. Houve um incidente em que [descrição genérica: uma planilha com nome, telefone e e-mail de clientes foi enviada por engano para um endereço externo]. Já contivemos (descreva em uma linha) e estamos comunicando as pessoas. Tarefa: escreva o aviso para os clientes afetados: o que aconteceu, quais dados foram envolvidos, qual o risco prático (ex.: receber mensagens suspeitas em nome da empresa), o que a empresa fez, o que a pessoa pode fazer, e um canal para dúvidas. Formato: até 12 linhas, tom honesto e calmo, sem juridiquês, sem minimizar, sem emoji.

Exemplo real

Uma escola de idiomas descobriu que a lista de alunos com telefone dos responsáveis tinha sido colada numa IA por um funcionário para "montar turmas". Conteve (apagou, desligou treino, revisou a política), registrou, avaliou (contato de responsável; risco de golpe em nome da escola) e comunicou as famílias com um aviso curto, orientando a desconfiar de ligações pedindo pagamento. Duas famílias agradeceram. Nenhum golpe aconteceu. A escola passou a existir, para essas famílias, como uma escola que avisa.

Cenário 2: caiu no golpe (dinheiro ou acesso saiu)

Exemplos: pagamento para o "fornecedor que mudou de banco", Pix para o "filho de número novo", código do SMS dado à "central do banco", WhatsApp da empresa tomado.

Cuidado

Depois de um golpe, é comum aparecer um "segundo golpe": alguém se apresentando como advogado, perito ou "setor de recuperação" oferecendo recuperar o dinheiro mediante um pagamento. Não existe recuperação paga por fora. Recuperação vem do banco e da polícia, pelos canais oficiais.

E a parte humana: quem caiu no golpe não é o problema. A produção é profissional. A pessoa que avisa no mesmo dia está cumprindo a regra 10 da política e merece ser tratada como quem fez a coisa certa. Se ela for constrangida, o próximo incidente será escondido, e incidente escondido é o que vira prejuízo grande.

Cenário 3: o agente errou (a IA da empresa disse ou fez algo indevido)

Cada vez mais empresas pequenas têm um agente de IA respondendo no WhatsApp, no site ou por e-mail. Ele vai errar em algum momento: prometer desconto que não existe, dar informação errada de horário, responder de forma inadequada, ou, em casos piores, ser manipulado por alguém que escreve para ele tentando extrair dados de outros clientes.

Exemplo real

O agente de WhatsApp de uma clínica de estética respondeu a um cliente com o preço antigo de um procedimento. O cliente chegou querendo pagar aquele valor. A dona assumiu a conversa, explicou que a IA tinha informação desatualizada, honrou o preço naquela vez e agradeceu o aviso. Registrou, atualizou a base de preços do agente e criou a regra "preço confere na tabela, nunca na IA" na política. Pequeno, resolvido em uma hora, e o cliente virou frequente.

A página do plano: o que tem que estar nela

O plano cabe numa página porque, na hora, ninguém lê mais do que isso. Estrutura:

Topo

Os cinco verbos em letra grande: conter, registrar, avaliar, comunicar, aprender. E "quem responde: [nome, telefone]".

Três blocos

Vazou, caiu no golpe, o agente errou. Em cada um, três a cinco linhas com as ações de conter e comunicar específicas.

Contatos

Banco (número oficial, atrás do cartão), contador, advogado se tiver, suporte das ferramentas de IA, site da ANPD, canal de boletim de ocorrência do seu estado, fornecedores principais.

Rodapé

Onde ficam a política (aula 7) e o registro de incidentes (um documento simples: data, o que houve, o que foi feito, o que mudou). Data da próxima revisão.

O registro de incidentes merece uma frase: é o histórico que mostra, para a equipe e para quem perguntar, que a empresa aprende. Quatro colunas, uma linha por caso, sem nome de culpado.

Projeto final · 20 min

Monte o plano de resposta da sua empresa em uma página

  1. Abra um documento em branco. No topo, escreva os cinco verbos: conter, registrar, avaliar, comunicar, aprender. Abaixo, "Quem responde:" com nome e telefone (o mesmo da política da aula 7).
  2. Bloco "Vazou": escreva três a cinco linhas com o que conter (trocar senha, apagar conversa, bloquear aparelho) e quem comunicar (afetados, ANPD se houver risco relevante, encarregado). Escreva o nome do encarregado pelos dados.
  3. Bloco "Caiu no golpe": escreva o que conter (banco na hora pelo número oficial, trocar senhas, avisar contatos) e quem comunicar (banco, boletim de ocorrência, fornecedor verdadeiro). Inclua a frase "não existe recuperação paga por fora".
  4. Bloco "O agente errou": escreva o que conter (pausar ou limitar, pessoa assume) e como comunicar ao cliente (pessoa explica e corrige; a empresa assina). Se ainda não tem agente, escreva o bloco mesmo assim: um dia vai ter.
  5. Lista de contatos: banco (o número atrás do cartão, conferido), contador, advogado se tiver, suporte das ferramentas de IA que a empresa usa, endereço do site da ANPD, canal de boletim de ocorrência do seu estado, os dois ou três fornecedores que mais recebem pagamento. Confira cada número hoje.
  6. Crie o registro de incidentes: um documento com quatro colunas (data, o que houve, o que foi feito, o que mudou). Se já houve algum caso, registre-o agora como primeira linha.
  7. Imprima o plano e coloque no verso da política. Salve os contatos no celular de quem responde. Marque a revisão daqui a seis meses, no mesmo dia da revisão da política.
  8. Ensaio de dez minutos com a equipe (ou consigo, em voz alta): "recebemos um e-mail do fornecedor com dados novos, pagamos, e o fornecedor ligou cobrando. E agora?". Siga o plano, passo a passo, e anote o que faltou.
Entregável: o plano de resposta da sua empresa em uma página, com os cinco verbos, os três cenários, os contatos conferidos e o nome de quem responde; o registro de incidentes criado; o plano impresso no verso da política; e um ensaio feito. Este é o projeto final do curso: junto com o protocolo da aula 2, as contas da aula 3, o lembrete da aula 4, as configurações da aula 5, o acordo da aula 6 e a política da aula 7, você tem uma casa e uma empresa preparadas para a era da IA. Para o bem, com segurança.

Resumo da aula

Quiz da aula

Quatro perguntas para fixar. A melhor nota fica guardada para o certificado.

Última aula

Você chegou ao fim do curso Segurança na Era da IA.

Foram 8 aulas. O que fica não é o conteúdo decorado, é a base para decidir melhor daqui pra frente. Se quiser continuar, os outros cursos seguem abertos e gratuitos.

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