Nesta aula
Até agora o agente escrevia. A partir de agora ele mexe em arquivos. Isso muda o que ele pode fazer e o cuidado que você precisa ter.
Os agentes das aulas 4 a 6 vivem dentro de uma janela de chat. Eles leem o que você anexa e devolvem texto. Um agente de terminal, como o Claude Code, vive no seu computador: ele abre pastas, lê arquivos, cria outros, edita, roda programas. É o tipo de agente que mais se parece com a definição da aula 1, porque ele age no mundo. E, justamente por isso, é o que mais pede limites bem postos. Nesta aula você vai entender o que ele é, para que serve para quem não programa, e vai fazer a primeira tarefa com segurança, do começo ao fim.
- Ao final, você vai saber o que é um agente de terminal e quando ele vale mais do que um agente de chat.
- Vai entender o mecanismo de permissão e como montar um ambiente de teste que não põe nada em risco.
- Vai sair com um entregável: a primeira tarefa supervisionada concluída, com um relatório gerado pelo agente.
O que é o Claude Code e o que ele tem a ver com você
O Claude Code é um agente de programação da Anthropic que roda no terminal, aquela janela de texto do computador que a maioria das pessoas nunca abre. Ele foi feito para programadores: lê o código de um projeto, entende, faz alterações, roda testes. Mas a mesma capacidade que serve para código serve para qualquer coisa que seja arquivo em pasta. E, num negócio pequeno, muita coisa é arquivo em pasta: contratos, notas, fotos de produtos, planilhas, propostas, documentos de clientes.
Na prática, o que ele faz é isto: você abre o terminal dentro de uma pasta, digita claude e passa a conversar com um agente que enxerga aquela pasta. Você pede em português. Ele planeja, mostra o que pretende fazer, pede permissão para cada ação que altera algo, executa e mostra o resultado. Existem outros agentes de terminal parecidos, de outras empresas, e a lógica é a mesma; eu uso o Claude Code como exemplo porque é o que conheço melhor.
Para que serve para quem não programa
- Organizar uma pasta bagunçada: renomear arquivos num padrão, separar por ano ou por cliente, listar o que está duplicado.
- Gerar relatórios a partir de arquivos: "leia esses 40 PDFs de nota e monte uma planilha com data, fornecedor e valor".
- Converter formatos em lote: dezenas de documentos de um tipo para outro.
- Preparar dados: limpar uma planilha exportada, juntar várias em uma, apontar inconsistências.
- Criar pequenas ferramentas: uma página simples, um script que roda toda segunda. Isso é assunto de outro curso, o de criar com IA sem ser programador.
Dica
A pergunta para saber se uma tarefa é de agente de terminal ou de agente de chat: envolve muitos arquivos, ou arquivos que precisam ser criados ou movidos? Terminal. Envolve responder ou escrever com base em poucos documentos? Chat. As duas coisas se complementam.
Antes de instalar: o que ter e o que conferir
Eu prometi na aula 1 que não mandaria instalar nada perigoso. O Claude Code é uma ferramenta oficial, mas ele tem as mãos no seu computador, então vale a pena entender o que está entrando. Você precisa de:
- Uma conta na Anthropic. O Claude Code usa a mesma conta do assistente Claude, em plano que inclua a ferramenta, ou uma conta de desenvolvedor com cobrança por uso. Confira na página oficial do Claude Code qual opção vale para o seu plano no momento; isso muda.
- Um computador com terminal (macOS, Linux ou Windows). Em Windows o caminho de instalação tem particularidades; a página oficial descreve o passo a passo atual para cada sistema.
- Um programa de apoio chamado Node.js, se a instalação for pelo instalador de pacotes npm. A página oficial diz se ainda é necessário e qual versão.
No momento em que escrevo (setembro de 2026), a instalação documentada é pela página oficial do Claude Code, que traz o comando exato para cada sistema. Não vou copiar o comando aqui porque ele muda e você deve pegar da fonte. O que não muda: depois de instalado, você entra na pasta que quer trabalhar e digita claude. Dentro dele, /help mostra os comandos disponíveis.
O mecanismo de permissão
Aqui está a peça de segurança mais importante. Quando o agente quer fazer algo que altera o computador (criar um arquivo, editar, mover, rodar um comando), ele para e pergunta. Você vê o que ele quer fazer e responde sim ou não. Ler arquivos ele faz sem perguntar, porque leitura não altera nada. Existe a opção de aprovar de uma vez ações parecidas durante a sessão; use isso só quando você já viu o padrão e confia nele.
Cuidado
Vai aparecer a tentação de aprovar tudo sem ler, porque as perguntas interrompem. Resista, pelo menos nas primeiras sessões. A permissão é o portão de aprovação humana da aula 2 aplicado ao seu computador. Se você não entende um comando, peça para o agente explicar em português o que ele faz antes de aprovar. Ele explica bem. E nunca rode o agente em uma pasta que tenha o único exemplar de algo importante.
A primeira tarefa segura: ler, organizar, relatar
A primeira tarefa tem três características: acontece em uma cópia, começa com leitura e termina com um resultado que você consegue conferir. Vou usar um escritório de arquitetura pequeno como exemplo, com uma pasta de projetos antigos cheia de arquivos com nomes como "final_v3_revisado_OK.pdf".
Passo 1: a cópia
Copie a pasta inteira para um lugar de teste, por exemplo uma pasta chamada "teste-agente" na área de trabalho. Tudo que o agente fizer acontece ali. Se der certo, você repete na pasta real. Se der errado, apaga a cópia. Essa é a cerca mais simples e mais eficaz que existe.
Passo 2: só leitura
Abra o terminal na pasta de teste, inicie o agente e peça um relatório, sem mover nada:
O agente vai ler a pasta, talvez pedir permissão para criar o arquivo de relatório (aprove: é o único arquivo novo), e entregar. Abra o relatório e confira contra a pasta: os números batem? Os duplicados apontados são duplicados mesmo? Esse é o momento em que você aprende como ele trabalha, sem risco.
Passo 3: organizar, com aprovação
Só depois de conferir o relatório você pede a organização, e ainda dentro da cópia:
Repare nas cercas: mostrar antes de fazer, esperar ok, não apagar (mover para revisão). Quando ele apresentar a lista, leia. Se estiver boa, aprove. Ele vai pedir permissão para cada movimento ou para o lote; você decide. No fim, confira a pasta e compare com a original. Se o resultado agradou, você repete na pasta real, agora sabendo exatamente o que vai acontecer.
Exemplo real
Numa loja de roupas, a pasta de fotos de produto tinha três anos de imagens com nomes de câmera. O agente leu tudo, relatou 1.240 arquivos, apontou 90 duplicados e propôs renomear por data e coleção com base nas pastas onde estavam. A dona aprovou a proposta, ele renomeou em cópia, ela conferiu uma amostra e repetiu no original. Meia tarde de trabalho que ninguém queria fazer. O detalhe que fez diferença: ela pediu a lista antes, e trocou o padrão de nome uma vez antes de aprovar.
O arquivo de instruções da pasta
Assim como o projeto de chat tem instruções fixas, o agente de terminal aceita um arquivo de instruções dentro da pasta. No Claude Code esse arquivo se chama CLAUDE.md, e o agente lê no início de cada sessão. É a peça "instruções" da anatomia, agora para o computador. Um exemplo curto para a pasta de projetos do escritório de arquitetura:
# Instruções para o agente nesta pasta
- Esta pasta contém projetos de um escritório de arquitetura. Trate os arquivos como confidenciais.
- Nunca apague arquivos. Para descartar, mova para a pasta duplicados-para-revisar.
- Antes de renomear ou mover em lote, mostre a lista completa e espere aprovação.
- Padrão de nome: AAAA-projeto-tipo-versao, tudo em minúsculas, sem espaços.
- Relatórios em português, em arquivos .md na raiz da pasta.
Com esse arquivo, você não precisa repetir as cercas em todo pedido. E qualquer pessoa da equipe que use o agente naquela pasta herda as mesmas regras. É o começo de governança: as regras saem da cabeça de quem pediu e vão para um arquivo que todo mundo lê.
Prática · 10 min
Faça a primeira tarefa supervisionada
- Escolha uma pasta do negócio com arquivos bagunçados e sem dado pessoal sensível (fotos de produto, documentos internos, modelos de proposta). Copie inteira para uma pasta "teste-agente".
- Instale o Claude Code seguindo a página oficial (ou use outro agente de terminal que você já tenha). Abra o terminal dentro de "teste-agente" e inicie o agente.
- Crie um arquivo CLAUDE.md na pasta com as cinco regras do exemplo, adaptadas ao seu caso.
- Peça o relatório de leitura com o pedido da aula (quantidade, tipos, duplicados, nomes ruins). Aprove apenas a criação do arquivo de relatório. Confira o relatório contra a pasta.
- Se o relatório estiver correto, peça a proposta de renomeação com "mostre a lista antes e espere meu ok". Leia a lista. Aprove ou peça ajuste.
- Compare a pasta de teste com a original. Anote em uma linha o que funcionou, o que você mudaria no pedido e quantas permissões aprovou.
Resumo da aula
- Agente de terminal (Claude Code e similares) age nos arquivos e programas do computador: lê, cria, move, edita, executa. Serve para qualquer coisa que seja arquivo em pasta.
- Instale pela página oficial, com a conta certa; o comando e os requisitos mudam, a fonte é a documentação.
- Permissão é o portão de aprovação humana no seu computador. Entenda antes de aprovar; peça explicação em português quando não entender.
- Primeira tarefa: em cópia, só leitura, com relatório conferível. Organização vem depois, com "mostre antes, espere ok, não apague".
- O arquivo CLAUDE.md na pasta guarda as regras para todas as sessões e para toda a equipe.
Quiz da aula
Quatro perguntas para fixar. A melhor nota fica guardada para o certificado.
Isaque Victor cursos gratuitos